Vanessa

Vanessa

Os cabelos são como um desenho em formas circulares feito com o mais delicado pincel. Presos, revelam a graciosidade presente no brinco de pérolas e na correntinha prateada com pingente de luvas de boxe. Os olhos são negros assim como a pele. Nos lábios, um belo sorriso que reflete a alma alegre. Gosta de uma boa prosa. Tem tanta energia que se torna agitada.

 

Sempre que pode, expressa sua fé em Deus. Mostra a força da mulher catarinense para todos a sua volta. Essa é Vanessa Cristina de Borba. A boxeadora de 33 anos é natural de Joinville. Construiu em Itajaí, sua carreira de atleta amadora. A cada dia, enfrenta o preconceito e a falta de incentivo à modalidade dentro do Estado.

 

Hoje, além de lutar, dá aulas para pessoas que buscam refúgio da rotina estressante e para atletas que buscam no boxe, uma profissão. Conheci Vanessa em 2017, em uma entrevista sobre o boxe feminino. Confesso que ela despertou minha admiração por sua garra e determinação.

do berço

O ponto de partida dessa história é 1985. No cinema mundial, estreava o quarto filme da franquia Rocky. O sucesso de bilheteria havia conquistado o público pelas lutas épicas de Balboa. Já no Brasil, era a democracia que estava no ringue para enfrentar sua maior oponente, a ditadura militar. E aos poucos, os direitos retornaram às mãos do povo. A década de 80 foi também um marco para o rock no país com o nascimento do bebê Rock in Rio. Barão Vermelho, liderado pela voz de Cazuza, clamava junto ao povo por liberdade “Pro Dia Nascer Feliz”. Até o grupo inglês Queen emocionou o público com a canção “I Want To Break Free”, que naquela época era o principal desejo dos brasileiros.

A força feminina representada por 51,6% da população nacional também se levantou contra as injustiças e conquistou a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher no Estado de São Paulo. Em meio ao calor desses acontecimentos, em dezembro nascia uma linda menina com olhos de jabuticaba. Entretanto, ela não seria mais um número dentro desta porcentagem do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A filha do Seu Sidney e da Dona Denise não teve uma vida fácil. Tudo o que conquistou foi através do suor do próprio rosto. Desde cedo, assumiu o papel de protagonista de sua própria história. E foi na terra da garoa catarinense que deu seus primeiros passos.

primeiro round

Com apenas dois anos, perdeu o pai. Desde então, sua vida mudou. Junto à mãe, teve que se adaptar à nova realidade. Passou a assumir os serviços domésticos com o passar dos anos. E quando a mãe casou novamente, teve a tarefa de criar os irmãos, frutos dessa segunda união. Não tinha uma rotina tranquila. Quando viu que sua casa não era mais um lar, resolveu partir. Com 14 anos, saiu de casa. Morou por algum tempo com a avó e depois disso, seguiu em voo solo. 


O sonho de criança era se tornar advogada. O linguajar formal, os terninhos combinando com os saltos elegantes e as audiências nos tribunais faziam parte do imaginário de Nessa – carinhosamente apelidada pela família. Talvez, o roteiro da série Suits fosse perfeito para o futuro dela, mas Vanessa não seria como a personagem Rachel. O futuro a esperava com uma grande missão.


De menina a mulher, chegou o momento de dar o primeiro passo na carreira jurídica. Ingressou na faculdade e por três anos, defendeu seu sonho de infância. Vanessa descobriu que o caso mais complexo não estava nos livros de Direito, mas na vida real. As mensalidades foram pouco a pouco golpeando-a, até ser nocauteada por sua realidade financeira. Porém, não é do seu feitio esmorecer em meio às dificuldades. Era a hora de levantar e encarar o segundo round. 


Vaidosa, ela sempre gostou de andar bem vestida, em cima do salto. Dele, só desceu para calçar os tênis, vestir suas luvas e apoiar o namorado da época. Através de Francisco Brites, a menina de ferro teve o primeiro contato com o esporte. Ambos levavam vidas distintas. Como na música do Páginas em Branco, eram como as “peças do quebra-cabeça que faltam, mas não se encaixam”. Mas se até Anavitória achou um “Trevo” de quatro folhas, quem dirá esse casal encontrar o amor entre as adversidades! 


Os sorrisos comuns no rosto de Vanessa se tornaram vitalícios após conhecer um certo gaúcho. O boxeador não é Roberto Carlos, mas era o cara certo para aquela menina “Cheia de Manias”. Sob a benção de Deus, juraram amor eterno como na canção de Armandinho. Construíram suas rotinas em Joinville, no norte catarinense. Da empresa em que trabalhava, Vanessa recebeu um convite: trabalhar por três meses em Itajaí. Então, junto com o esposo e a filha Thayssa, se mudou para a cidade mais peixeira do Brasil. 


Logo se apaixonaram por Itajaí e, quando chegou a hora de retornar ao norte do Estado, decidiram ficar. Junto com o esposo, abriu sua academia de lutas. Muito suor e dificuldade, mas com fé conquistou uma vida digna e feliz. Quando tudo se estabilizou, em um belo dia o telefone tocou. Do outro lado da linha, a sogra de Vanessa deu uma difícil notícia, estava com câncer. Francisco, logo que soube, ficou apreensivo. Pensou na melhor alternativa que lhe passou pela cabeça. Fez as malas, juntou tudo o que tinha e seus dois bens mais preciosos. Entraram no carro e no GPS, o destino marcado foi Uruguaiana (RS).

por um triz

O trajeto foi longo, exatos 1.158 quilômetros. Mais de 10 horas dentro de um automóvel. No percurso, fugiram de um assalto, tiveram um pneu furado e quando foram substituí-lo, a surpresa: o estepe era menor. Estacionaram em outro posto para resolver aquele problema. Feito isso, entraram no carro e no mesmo momento, um outro casal passou a perseguir um mesmo caminho. Tentavam a todo custo ultrapassar o FIAT Tempra de Vanessa e Francisco.


Após muitas tentativas, acabaram batendo na traseira. O carro rodou pela pista de um lado ao outro. Caíram numa ribanceira a sete metros de profundidade. O esposo e a filha não se feriram. Nessa porém, não tinha pulso. A brusca capotagem fissurou seu crânio. O sangue escorria pela face da menina de ferro que naquele momento, enfrentava seu oponente mais difícil, a morte. 


Quando os paramédicos chegaram ao local, imediatamente verificaram se havia pulsação. Por minutos, o coração de Vanessa não bombeava sangue para o resto do corpo. De 80 batidas por minuto, a frequência permanecia em zero. O medo tomou o marido. Em situações como essa, o cérebro libera substâncias químicas que causam o disparo do coração, respiração rápida e a contração dos músculos. Temente a Deus, ele orou e pediu para que não levasse a mãe de sua filha. 


A última tentativa de alcançar a ressurreição, lembra a história bíblica de Lázaro. O amigo de Jesus havia morrido há quatro dias. “Lázaro, vem para fora” (João 11, 42) – essas palavras fizeram o homem retornar da morte. Você pode acreditar em sorte, carma ou simpatia, mas essa família tinha fé assim como as irmãs de Lázaro, Marta e Maria. Sem explicação humana, a menina dos olhos voltou à vida. “Eu nasci de novo”, afirma Vanessa ao lembrar pelo que passou. Isso a fez valorizar as pequenas coisas e ser grata pelo que possui. Em Deus, põe o mérito de todas as suas conquistas. A maior delas ainda estava por vir. Enquanto isso, o ringue a esperava ansiosamente.

“EU NASCI DE NOVO.”

MODALIDADE MARGINALIZADA

Por ser um meio de combate, o boxe apenas passou a integrar o calendário moderno dos Jogos Olímpicos em 1920, na Olimpíada de Antuérpia (Bélgica). O Comitê Olímpico Internacional acreditava que o boxe era uma prática que incitava a violência. O fato contrariava o ideal de fraternidade estreitamente vinculado ao espírito olímpico. Entretanto, o boxe é uma atividade intensa que ajuda a aliviar a tensão do dia a dia. Sua função é contrária à violência. Provoca bem-estar por causar liberação da serotonina, o neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade. A modalidade trabalha a coordenação motora, treinamento cardiovascular, flexibilidade, força e potência.


A categoria feminina começou a fazer parte das Olimpíadas somente em 2012. A inclusão dessa modalidade fez com que todos os esportes passassem a ser disputados também por mulheres. Adriana Araújo conquistou a medalha de bronze em Londres, o que somou ao Brasil o total de sete medalhas – nenhuma de ouro. Em 2016, a Federação Internacional de Boxe (AIBA) aprovou uma mudança na regra que permite a participação de lutadores profissionais nos jogos. Outra mudança foi a extinção do uso de capacete e camisetas em lutas masculinas.


Foi em casa, nos Jogos Olímpicos Rio 2016, que um dos ídolos de Vanessa conquistou o ouro inédito para o Brasil. Robson Conceição derrotou o francês Sofiane Oumihana na categoria peso-leve, até 60 quilos. Na cidade maravilhosa, foi dado o primeiro passo para escrever o nome do país na história do boxe. E é pelo trabalho de tantos ‘Robsons’ e ‘Vanessas’ espalhados pelo Brasil que um novo sopro de esperança é dado à modalidade.

 

golpe cruzado

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche era conhecido pela seguinte frase: “O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte”. Assim aconteceu com a menina de ferro, guria de ouro. Venceu a morte e após à saúde da sogra melhorar, voltou com a família para a terra do sol e do mar. Nunca imaginou se tornar atleta. Tudo mudou quando começou a treinar boxe com a intenção de cuidar do corpo. Mal sabia ela que acabara de ser alvo da flecha do cupido esportista.

 

Os anos passaram e o interesse pela modalidade aumentou. Até que em um certo dia, ela se ofereceu para ajudar o marido em uma aula. A habilidade da menina dos punhos de ferro surpreendeu o esposo que buscava há anos, algumas qualidades somente encontradas nela. Desde então, o casal se transformou. Os treinos passaram a ser mais competitivos. No início, temia a derrota e possíveis lesões. Lutou para escrever seu nome no boxe local e não ser apenas reconhecida como a “esposa do Francisco”. “Pra mim, como mulher e mulher do treinador, se eu lutasse e perdesse, seria pior”. Com o auxílio do marido, se preparou por dois anos até estrear no ringue e depois que nele subiu, nunca mais desceu.

Em 2014, recebeu um convite que seria o passe de entrada para o mundo das lutas. Em Balneário Camboriú, foi disputar a terceira edição do Pugna Fight. O campeonato é organizado pela Federação Catarinense de Boxe Amador e Profissional (FECABAP). A oponente era novata nos ringues assim como Vanessa, o diferencial é que já possuía vasta experiência do Muay Thai. Disputaram o cinturão na categoria pena, até 57 quilos.

Ao se encontrarem pela primeira vez, a recepção dada à Vanessa foi nada amistosa. No corredor, a caminho da pesagem, a oponente esbarrou propositalmente contra o corpo da catarinense. Na hora, não entendeu o motivo, mas já esperava um combate acirrado. Albert Einstein dizia: “Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Não importa o que aconteceu com Vanessa, ela sempre superou e seguiu em frente.

Pés descalços, era hora de subir na balança. A pesagem oficial é realizada um dia antes da luta e, caso um atleta esteja fora do peso mínimo ou máximo, não estará apto a participar do combate. A adversária pesou quatro quilos a mais. Por se tratar de boxe amador, Vanessa podia decidir se queria ou não lutar. Havia trabalhado muito para chegar até lá e não voltaria para casa sem a vitória. Aceitou a disputa e seguiu para a luta.

Os rounds foram passando – um, dois, até chegar ao terceiro. Naquela hora, o sangue fervia pelas veias de Vanessa. O suor escorria pelo rosto. A respiração ofegava. O sorriso fora substituído pelo olhar sério, fixo na adversária. Aplicou então um golpe cruzado que foi de encontro ao rosto dela. A cabeça da lutadora marrenta tonteou e seu corpo foi buscar abrigo no chão. Nocaute! Logo na primeira luta, a pugilista catarinense alcançou o feito mais desejado na modalidade. A vitória foi apenas o começo de uma carreira brilhante.

“PRA MIM, COMO MULHER E MULHER DO TREINADOR, SE EU LUTASSE E PERDESSE, SERIA PIOR.”

nocaute

nocaute

O primeiro cinturão rendeu a Vanessa o título de La Pantera. Já tinha uma luta com vitória e o nome de guerra, agora só faltava escrever seu nome pelo Estado. O Campeonato Catarinense de Boxe é realizado em 10 etapas. Inicia em fevereiro e segue até dezembro. A cada mês, um luta para cada competidora. As duas melhores colocadas se enfrentam em um combate direto com o cinturão em jogo. Não foi surpresa Vanessa ser o destaque da competição em 2015. 


No confronto final, lutou contra Janaína Moura, da cidade de Concórdia. Disputa acirrada até o terceiro round. Na época, as mulheres disputavam quatro rounds de dois minutos. Hoje, a regra aplicada é a mesma dos homens, três rounds de três minutos cada. Na mente de Vanessa, além do desejo de vitória, passavam também as dores com o dedo quebrado. Mesmo assim, não se intimidou, partiu para cima da adversária.


Seguiu as regras básicas do boxe: iniciou o golpe de uma posição relaxada. Expirou ao lançá-lo; Tensionou o punho e seus músculos no momento do impacto e liberou a mão de volta para si. Golpeou a adversária com tanta técnica e força, que Janaína caiu no ringue. Vanessa explodiu de alegria e começou a gritar, anunciando o fim da luta. As palavras escondiam o medo da oponente levantar e seguir com o round, sabendo o quanto estava doendo seu dedo. A juíza foi conferir o estado da pugilista de Concórdia. A visão estava embaçada, o que impede a continuidade do round. Assim, com o segundo nocaute da carreira, Vanessa sagrou-se campeã catarinense.

 

Como Confúcio afirmava, “Em todas as coisas, o sucesso depende de uma preparação prévia, e sem tal preparação, o falhanço é certo”. Dessa maneira, a pugilista logo seguiu para o próximo desafio. O Open Boxe em Cuiabá, no Mato Grosso, lhe rendeu mais um título na carreira. Nada mal para aquela menina de saltos altos que nem sonhava passar perto de um ringue. A possibilidade parecia uma loucura. Se o papo é sonho e loucura, este parágrafo finaliza com uma frase de Monteiro Lobato. “Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira – mas tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Confiante, Vanessa chegou ao tão desejado Campeonato Brasileiro de Boxe Feminino. "Eu não tinha experiência alguma", afirma ao lembrar do feito. Enfrentou uma atleta do Pará. Para variar, venceu um velho conhecido, o nocaute técnico. Dessa forma, se classificou para a semifinal. Para chegar à final, precisaria enfrentar ninguém menos que Danila Ramos, a paulista 10 vezes campeã brasileira. Perdeu por pontos. “Até hoje fico meio triste por ter perdido para ela”, lembra a catarinense. 


Lidar com derrotas não é algo fácil. O que dificulta ainda mais para os atletas, mas assim como dizia Carlos Drummond de Andrade, “só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo”. Então, Vanessa reuniu forças para as batalhas que 2016 guardava. Como campeã estadual de 2015, já tinha seu lugar garantido na edição seguinte. Cumpriu o extenso calendário de lutas e ao fim, conquistou o bicampeonato por WO. A abreviação vem da palavra inglês walkover. Traduzida para o português significa “vitória fácil”. A expressão é usada quando o oponente não se apresenta para a competição ou está impossibilitado de fazê-lo.


A fama de La Pantera havia se espalhado pela região. Passou a intimidar suas oponentes devido à quantidade de lutas e vitórias do currículo. Finalizou com chave de ouro o ano de 2016 ao conquistar a Taça Alessandro Silva, evento organizado pela Federação Catarinense de Boxe. Como na Jornada do Herói, voltou para casa com sua recompensa. As medalhas que selaram cada vitória estão expostas na academia onde treina e dá aulas. Com orgulho, guarda recortes de jornais que noticiaram seus feitos. Um deles foi divulgado em primeira mão para este trabalho. O último capítulo resguarda grandes projetos.
 

uppercut

Você deve estar se perguntando o significado do título deste capítulo, “uppercut”. Ele é o nome do soco utilizado em várias artes marciais como no boxe, kickboxing e Muay Thai. É um golpe devastador que lança o oponente para cima, e desse modo, proporciona um desequilíbrio momentâneo. Vanessa utilizou dessa artimanha para vencer na vida. O ano de 2017 veio como uma rasteira, já que nada conquistou na modalidade. Porém, seu maior golpe sempre foi a determinação. Juntou forças para continuar o trabalho de anos e em 2018, recebeu um inesperado convite que transformaria sua história.

A vida é mesmo um mistério. A cada dia, são dados ao ser humano dois presentes, depende só de você escolher entre o certo e o desconhecido. Vanessa optou pelo incerto e acertou. Um promotor de boxe de Las Vegas (Estados Unidos), chamado Bill Nelson analisou toda a carreira de Vanessa. Chegou à conclusão de que a catarinense é a melhor pessoa para apostar suas fichas. Ele já gerencia outros lutadores internacionais e a pugilista será a primeira atleta da categoria feminina. Em breve, a menina de ouro receberá as boas-vindas do boxe profissional. E como afirma a Física, o mundo segue em constante rotação. Para Vanessa, chegou a hora de descer na “estação dos sonhos”.

“Eu sempre quis ser tudo, mas nunca me completei com nada” - Dessa forma, Vanessa exprime sua paixão pelo boxe. Quando perguntada sobre os planos para um futuro distante, ela afirma desejar finalizar a faculdade de Direito e advogar. Sem esquecer do boxe, sonha criar, em Itajaí, escolinhas gratuitas para crianças e idosos. Ela acredita na função educativa do esporte, que tira milhões de crianças das ruas. Assim também crê o poeta Leandro Flores: “O esporte é a ferramenta de inserção social mais eficaz, pois o resultado é imediato e as transformações são surpreendentes”.

Como um camaleão, essa lutadora mudou suas cores. Sonhou com a advocacia, mas foi na arte esportiva que encontrou seu lugar. Sua trajetória de vida não lhe permitiu colheres de chá. Tudo foi laborioso. Como diz o Papa Francisco, “Deus dá as batalhas mais difíceis aos seus melhores soldados”. E nessa luta chamada vida, Vanessa sempre esteve na linha de frente. Tomou os piores golpes. Teve de se esquivar das injustiças e adversidades. Nocauteou o preconceito.

Assim como a cantora Iza, fez da canção “Dona de Mim” seu lema. “Deixo a minha fé guiar, sei que um dia chego lá, porque Deus me fez assim, dona de mim”. Sempre que caiu, levantou do chão mais forte. Usou sua ginga dentro e fora do ringue. É como a canção “Mulher Feita”, do Projota. “Ela sabe da sua beleza, mas sabe que sua beleza não é nada, pois sua simplicidade é sua fortaleza”. E assim, segue voando sem asas. Pousou em Itajaí e daqui fez seu lar. Hoje faz do mundo o palco de suas vitórias.

EU SEMPRE QUIS SER TUDO, MAS NUNCA ME COMPLETEI COM NADA.”

maré esportiva