vitorioso dna

Mil novecentos e sessenta e oito. Brasileiros invadem as ruas do Rio de Janeiro. Com placas nas mãos, protestam contra o regime militar. Diversos setores da sociedade: estudantes, religiosos e artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso se uniam em perfeita harmonia. O arranjo da canção teria como tom maior a liberdade. E assim como a “Viola Enluarada”, de Marcos Valle e Milton Nascimento, afirmava: “O mesmo pé que dança um samba, se preciso vai à luta”.

O lema da época era fazer como na canção "Hey Jude", dos Beatles: “Não fique mal. Pegue uma canção triste e torne-a melhor”. Isso se tornaria ainda mais difícil com a ruptura da história de um grande sonhador. Martin Luther King viveu numa época em que racismo não era crime e sim, direito. Trazia no sobrenome a conotação de rei. Um tiro próximo ao rosto tentou calar o homem que até hoje tem sua voz ecoada pelo mundo.

No Rio Grande do Sul, outro canto tomava o estádio Olímpico Monumental. O motivo: vitória do Grêmio no Campeonato Gaúcho. A 472 quilômetros de Porto Alegre, outra festa acontecia em Santa Maria. Na casa dos Monteiros, uma linda menina acabara de nascer. Com ascendência alemã, trazia em seu DNA a origem do povo que criou, no século XIX, o handebol.

primeiro lançamento

Claudia era uma menina alta e com pouca gordura corporal. Devido a isso, recebeu o apelido de “Seca”. Estudava no colégio Santana, em sua terra natal. Enquanto treinava pela quadra esportiva, foi notada por Iradi Antonelo. O professor de Educação Física percebeu que a “guria” franzina levava jeito para a coisa. Em uma conversa, a convidou para fazer parte do time de handebol da escola. Esse foi o primeiro arremesso para uma carreira vitoriosa que estava por vir. 


Três campeonatos reforçaram a tradição dos Monteiros no esporte. Primeiro representou o colégio, depois o município e por fim, o Estado. A história do sobrenome na modalidade antecede Claudia. Na década de 1980, a madrinha e um primo dela já praticavam handebol. “De Braços Dados”, como na canção de Mareike, o bastão foi passado. Encontrou na mão de Claudia as marcas da determinação de uma gaúcha tão forte quanto a Mulher Maravilha.

voo livre

A filha do Seu Glênio (falecido) e Dona Ione sempre foi uma menina diferenciada.  Desde cedo queria assumir a posição de atacante, ou melhor dizendo, armadora central. Na modalidade, esse atleta é o “cérebro” da equipe, o organizador das jogadas de ataque. Como o nome já diz, o Armador Central atua pelo centro da quadra, armando as jogadas de sua equipe. Organização sempre foi o ponto forte de Claudia. E como boa esportista, já trazia em sua essência, a alma de líder: “Sempre fui uma líder nata, não era uma coisa que gostaria ser, mas era algo natural”, lembra a gaúcha.


E como no desenho animado, o imaginário da gaúcha relembrava o seguinte diálogo. “Pink: O que você quer fazer esta noite? Cérebro: A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pink, tentar conquistar o mundo.” Ela começou conquistando Santa Maria. A qualidade técnica a destacava em quadra. Era central e marcava de base na defesa. Na posição, tinha a melhor visão do jogo. Após cada ponto feito, visualiza o melhor futuro para a carreira.


A liderança chamava a atenção dos técnicos. Não era forte fisicamente e por isso, seus arremessos eram colocados. Tudo isso foi exibido no Campeonato Brasileiro de 1986.  Na ocasião, representava Santa Maria e foi campeã. Logo ao fim da disputa, recebeu um convite inesperado. A Seleção Brasileira a queria em sua equipe. A missão verde e amarela seria em dezembro do mesmo ano. A viagem a levaria até a terra do natal do handebol. Na Alemanha, treinou e se preparou para a próxima temporada.  


A habilidosa galega sempre foi como um ponto de luz em quadra. Com tanto destaque, foi convidada para jogar em um time alemão. A oportunidade única foi vetada por seus pais. O fato de imaginarem a filha adolescente longe de casa já tirava o sono daqueles pais corujas. Não demorou muito até Claudia fazer as malas e seguir em busca de seus sonhos. Na bagagem, levou também três títulos estaduais por sua terrinha. Um ano depois, mudou para o Paraná. Lá, conquistou o título do Campeonato Paranaense de Handebol. Passaram seis meses e o time de Campo Mourão foi desintegrado.


Isso poderia ter desanimado Claudia. Seu primeiro voo solo acabara no chão. Já diziam os Engenheiros do Hawaii, “Seria mais fácil fazer como todo mundo faz, o milésimo gol sentado na mesa de um bar”. Isso não serviria para ela. Da citação, tomou para si apenas o título da canção. Foi buscar numa cidade portuária “Outras Frequências” que a deixariam no topo das paradas.

O handebol foi criado em 1919 pelo atleta e professor de Educação Física alemão Karl Schelenz (1890-1956). Naquele ano, ele e outros parceiros de trabalho reformularam um esporte para deficientes visuais chamado de torball. É executado em quadras fechadas de 40 por 20 metros. Além disso, no início o handebol era um jogo exclusivo para mulheres. Mais tarde e com sua inclusão nos esportes olímpicos, ele passou a ser jogado por ambos os sexos.


O handebol é um esporte coletivo que envolve passes de bola com as mãos. Cada tempo dura 30 minutos. Os intervalos são de 10 minutos. A bola do handebol é feita de couro e para as equipes masculinas, ela possui um diâmetro maior. Para homens tem 58,4 centímetros de circunferência e massa de 453,6 gramas. Já para mulheres, 56,4 centímetros de circunferência e massa de 368,5 gramas. As equipes são compostas por duas equipes, cada uma com seis jogadores e um goleiro. 


O Goleiro também deve saber atuar como jogador de linha e ter um bom fundamento em passes para iniciar um contra-ataque. O Pivô se movimenta no ataque entre a linha da área de gol e a linha tracejada de nove metros. Os Pontas são fundamentais nas ações de ataque e atuam próximo às linhas laterais da quadra. Os Meias são fortes e essenciais nas ofensivas e defensivas. Eles também são chamados de Armador Direito e Armador Esquerdo. Para fechar, o Armador Central é o cérebro da equipe, o organizador das jogadas de ataque. 


O Brasil possui vários títulos nesse esporte na categoria adulta. A Seleção Feminina: um Campeonato Mundial, cinco Jogos Pan-Americanos, 10 Campeonatos Pan-Americanos, três Jogos Sul-Americanos e nove Campeonatos Sul-Americanos. Seleção Masculina: três Jogos Pan-Americanos, três Campeonatos Pan-Americanos, três Jogos Sul-Americanos e um Campeonato Sul-Americano. 





 

mulher maravilha

Quando a gaúcha saiu de "Temiscira" (terra natal da Mulher Maravilha), ou melhor dizendo, do  Rio Grande do Sul, viu que existia um novo mundo em outros Estados. De forma heroica, deixou a família e seguiu a enfrentar batalhas distintas. Chegou a Itajaí ainda muito jovem. A idade não era justificativa para indisciplina. Desde cedo, foi muito sistemática e organizada. Aplicava essa estratégia principalmente em quadra. Iniciou seus treinos nos colégios São José e Fayal. Entra então, nesta história, o seu mentor. 


Por trás do apito suspenso por uma corda no pescoço e a rabiscada prancheta nas mãos, conheceu um lendário esportista. O nome dele se funde ao do município quando o assunto é handebol. Dário Rebelo dos Passos Filho (já falecido) foi o grande incentivador da carreira dela. Logo que chegou, foi bem recepcionada pelo colégio da Rede Santa Paulina, da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição (CIIC). Para ajudar o treinador, Claudia o acompanhava durante os treinos de forma gratuita. 


Após Dário sofrer um acidente, foi convidada para treinar o time masculino. Não pensou duas vezes e logo aceitou. Ela afirma: “Ele sempre me incentivou como atleta e técnica”. Com apenas 21 anos, encarava uma rotina digna da Mulher Maravilha. Cursava Educação Física de manhã, à tarde dava aulas, e à noite? Descansava? Que nada! Quando o Sol trocava de expediente com a Lua, Claudia encarava o terceiro turno na quadra azul com laranja do Colégio São José. 


Os treinos eram diários. A alimentação balanceada. Os músculos três vezes por semana eram exercitados. A rotina? Cansativa em nível profissional! Na faculdade ela precisava ter jogo de cintura para não ser tirada da quadra. “Ou estuda, ou joga”, assim ouvia de seus professores. Claudia conta: “Eu dizia, não posso escolher. Preciso jogar para pagar a faculdade”. Na época, quem financiava seu salário e faculdade era a empresa Giorama, um comércio local. Não desistiu até conquistar a coroa da vitória, representada num capelo preto com faixa verde sobre a fronte. 

liga da justiça

Como toda boa heroína, Claudia tinha suas aliadas. Três em especial. A "Batgirl", Kátia da Costa, professora da Univali foi a primeira a acolhê-la quando chegou a Itajaí. "Canário Negro", Andrea Maes, ex-professora do Colégio São José. E pra fechar A Liga da Justiça a "Supergirl", Andrea de Souza - apelidada de Xuli. Com ela, passou cinco anos dividindo o mesmo teto. Pra ser mais exata, a casa do atleta. 


Juntas criaram a dobradinha interestadual. Cláudia gaúcha e Xuli carioca. “Ela me ensinou a sambar”, relembra a ex-jogadora. Quando chega a uma festa e começa a tocar um samba ou pagode, ela sempre lembra da amiga. O mesmo acontece com Xuli, quando se depara com algum cômodo da casa bagunçado. Logo lembra da colega organizada.


A parceria dessas duas era fortalecida em quadra. Claudia afirma que antes de grandes competições, iniciava um preparo psicológico. Em pensamento, treinava seu cérebro sobre as jogadas que deveriam ser feitas. Uma espécie de lead jornalístico com os cinco porquês: quem, o quê, quando, onde e como. O conselho da amiga Andrea Maes para Claudia sempre foi esse: “Visualiza o que você quer que aconteça, e assim será”. 


“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado”. Essa frase dita por Roberto Shinyashiki – um dos escritores favoritos da ex-atleta, foi o lema de toda a carreira. E então, ela fez como o tenista catarinense Gustavo Kuerten que disse em uma entrevista: “Meu sucesso não teve mágica ou fórmula secretas. É a história de um cara comum que aproveitou as oportunidades". 

o sombra

Claudia é uma mulher de personalidade forte. Porém, isso nunca foi motivo para criar inimizades. Se autodefine como persistente e determinada sem perder a sensibilidade. Cita a frase de Che Guevara para representar sua postura: “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura”. A verdadeira sombra da carreira de dez anos foram as lesões. Vida de atleta não é fácil, exige sacrifícios. A saúde é o principal deles. 


A então jogadora passou por quatro processos cirúrgicos. O joelho sempre foi o ponto fraco. Dois ligamentos rompidos e dois meniscos, que são cartilagens presentes na articulação tibiofemoral na região do joelho. O processo é desconfortável. Cirurgia, fisioterapia e recuperação. Imaginem esta realidade há 20 anos. Procedimentos médicos mais invasivos. Longa recuperação até pisar novamente sobre a quadra. 


Claudia conta que após cada lesão, seu equilíbrio psicológico era afetado. O desânimo se dava também por causa do custo financeiro que recaía sobre o bolso dela. Mesmo assim ela afirma: “Eu tinha meus sonhos e ideais e fui atras deles”. Ela sempre gosta de lembrar que tudo o que tem, provém do handebol: o colégio particular em que estudou em Santa Maria, graduação em Educação Física (1991), especialização em Treinamento Desportivo (1994), e por fim, o mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho (2006).

da giorama à seleção brasileira

A Associação Esportiva Giorama Itajaí era um dos melhores times do Brasil nos anos 1990. A central foi peça fundamental para torná-lo imbatível. Foi campeã brasileira infantil, juvenil e três vezes vice-campeã adulta. Venceu oito vezes o Campeonato Catarinense de Handebol de 1989 até 1996. Por nove anos, trouxe para Itajaí a medalha de ouro dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). 


Sua fama se estendeu pelo país. Passou então a trazer no peito a tão desejada bandeira verde, amarela, azul e branca. Esteve na linha de frente da Seleção Brasileira de Handebol de 1986 até 1994. Disputou campeonatos mundiais pelos quatro cantos do globo terrestre. Foi tricampeã sul-americana nos anos de 1986, 1988 e 1991. “Momento incrível” - assim define Claudia ao lembrar com carinho dos Jogos Pan-Americanos de 1987 em Indianápolis (Estados Unidos).

A décima edição do evento reuniu 38 países e 4.453 participantes, desses, 309 brasileiros. O país conquistou a quarta posição do quadro geral. Quatorze medalhas de ouro, 14 de prata e 31 de bronze. Durante a competição, Claudia conheceu grandes nomes: Bernardinho e Renan Dal Zotto do vôlei; Hortência do basquete; E os jogadores da Seleção Brasileira Masculina de Futebol de 87. A gaúcha foi pé quente. Levou para casa a medalha de bronze. Seu colegas do futebol, medalha de ouro. E a musa do basquete, a prata. Nada mal, não é mesmo?

rosqueta

O handebol é recheado de jogadas especiais. Uma delas é a rosqueta, também conhecida como rosca. Isso acontece quando o atleta, próximo ao gol, joga a bola em movimentos circulares, semelhante ao rodopio de um pião. Pelos ares, a bola gira, tira o goleiro da jogada, quica no chão e encontra seu destino, o gol. Arremessar com efeito lembra o chute de trivela do futebol. É uma ousada tentativa de obter sucesso. Algo parecido aconteceria com a vida de Claudia, mesmo sem planejar a jogada em sua mente.


A gaúcha havia perdido seu coração para Vinícius do Nascimento. O conheceu pelas quadras da vida. Em 1994, resolveram subir ao altar e jurar amor eterno. Tudo planejado até que um convidado inesperado bate à porta: convocação para a Seleção Brasileira. A paixão antiga de Claudia a queria ver mais uma vez. O problema é que isso deveria ser em julho. O que a impediria? Um casamento marcado para o mesmo mês. Nem cruz, nem espada, ela escolheu o amor.


A galega alta de covinhas no rosto foi até a igreja encontrar seu futuro esposo. Trocou o uniforme confortável pelo vestido branco, véu e grinalda. Enquanto isso, outra paixão a esperava ansiosa. Claudia, porém, não chegou para abraçá-la. Seu coração não era mais dominado apenas pelo esporte. Aquele momento marcaria o início de uma outra família, não do handebol. Entretanto, quem ama não desiste e a Seleção honrou o ditado que diz que "brasileiro não desiste nunca", e a convocou mais uma vez.


Bem, a jogadora já estava casada, então, nada a impossibilitaria de reencontrar sua antiga paixão... errado! O mês de setembro trouxe não apenas as flores da primavera. Com o perfumado cheiro de rosas veio uma boa nova. Claudia carregava no ventre o dom da vida. Em breve, daria à luz a um amor incondicional. Mais uma vez, escolheu seu sangue, sua família. A Seleção teve que ficar de fora e aceitar que não tinha mais espaço na nova fase da vida de Claudia Monteiro do Nascimento. 


Se a relação verde e amarela estava estremecida, a ligação com o esporte seguia firme e forte. Potente também era aquela gaúcha que saiu muito cedo de Santa Maria. Determinada, não parou de jogar mesmo grávida. Com Gabriel no ventre, chegou a disputar um JASC. O "oitavo jogador do time" causou polêmica na época. O bochicho não abalou a atleta. Se afastou das quadras após quatro meses de gestação e um descolamento na placenta. 


Ela voltou com tudo para o segundo tempo da carreira. Representou Itajaí de 1995 até dar seu adeus definitivo para as quadras em 2004. Na areia fofinha da praia, viu uma nova oportunidade surgir. Jogou por dois anos até assumir o comando da Seleção Brasileira de Handebol de Areia. A princípio, não gostou da ideia. Seu ímpeto clamava a jogar, até que se rendeu e assumiu o chamado de líder.


Não se importou com o que poderiam falar sobre seu trabalho. Já dizia James Cook: “Um homem que quer reger a orquestra, precisa dar as costas à platéia”, e assim ela fez. Em seu quarto, criou um planejamento. Passou por seletivas em todo o país. Isso rendeu o passaporte para o Campeonato Mundial de 2015 (Alemanha). As meninas surpreenderam ao vencer o título. No ano de 2017, em casa, conquistaram o bicampeonato. Assim, Claudia renovou sua fé em si. E após tantas viagens, era hora de respirar. Dar tempo ao tempo.

o tempo e o vento

Ao encerrar sua Jornada do Herói, Claudia recebeu um novo chamado. Estaria à frente do Colégio São José, de Itajaí e da Seleção Brasileira. Já soma mais de 30 títulos como técnica. Com o esporte, conheceu Alemanha, Egito, Espanha, Estados Unidos, Equador e Rússia. O sucesso a seguiu por trás do apito. É vencedora de campeonatos escolares, estaduais, nacionais, sul-americanos, pan-americanos e mundiais.


Quando perguntada sobre sua maior realização, sem exitar responde: “minha família”. O DNA dos Monteiros, citado no início deste perfil, seria passado à mais uma geração. Gabriel e André herdaram da mãe a paixão pelo handebol. O primogênito, com nome de arcanjo, tem hoje 23 anos. Integrou a Seleção Brasileira Juvenil e Júnior. Foi campeão do JASC, Joguinhos e Olesc (Olimpíada Estudantil Catarinense) por Itajaí. O caçula, de 17 anos, atua pela Seleção Brasileira Juvenil.


Claudia, desde criança, “brincou de impossível, sonhou com o imprevisível, despertou e sentiu que a batalha valeu”, assim como na canção “A Força”, do itajaiense, Vê Domingos. Provou como Mário Sergio Cortella que “o impossível não é um fato: é uma opinião”. Assim, sorriu, sambou, emocionou, vibrou e continua a iluminar os ginásios da cidade “maix quirida” (sotaque característico de Itajaí) do Brasil.


O título deste capítulo faz referência à série literária do escritor brasileiro Érico Veríssimo. O romance conta uma parte da história do Brasil vista a partir do Sul. É considerada a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul. Uma das mais importantes do país. Impossível ler isto e não lembrar de uma certa mulher que ainda jovem deixou seus amados pampas. Escreveu sua trajetória sob a ótica de Santa Catarina. Substituiu, por vezes, o chimarrão pela tainha. Uniu o “bah” com o “tax tôlo”. Misturou o verde, vermelho e amarelo da bandeira rio-grandense com o azul do Brasil e de Itajaí. Seu nome marcou cada quadra e cada gol. Tornou-se tão conhecida quanto seu mentor,  Dário. Venceu suas sombras, as lesões. Conquistou aliados. Passou pelas provações da vida. Hoje, como uma águiado alto da montanha, observa seus jovens seguidores.